MINICONTOS

Asas negras
        
Celine em poucas semanas perdeu o emprego e também o namorado. Desolada e tomando antidepressivos, foi passar uns dias na fazenda dos tios. 
         Os sons da natureza a deixavam confusa. Certo dia eles tiveram que sair e Celine preferiu ficar e descansar.
         — Que barulho é esse? – Pensava a moça, que pulou da cama e nada via da janela, pois anoitecera. Atormentada por grunhidos e assovios altos, a jovem se desesperou e tomou mais remédios. Escutando sons ainda mais altos, Celine não se sentiu segura na casa e saiu correndo para pedir ajuda.
Tremendo da cabeça aos pés se viu perseguida por várias asas negras que voavam sobre ela. Gritando ela entrou no rancho. Escondida, viu corvos emitindo sons monstruosos lá dentro. Desesperada e tentando fugir novamente, a moça tropeçou e caiu.
Ao retornarem, procurando por Celine, os tios a encontraram ensanguentada no rancho, dizendo que fora atacada por corvos, que emitiam vários grunhidos.

— Mas nós estamos no Brasil! Lamentou a tia. 
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Mistério na estrada de ferro

— Não haverá congresso amanhã Carlos, que tal conhecer a estrada de ferro que leva à Morretes? Dizem que o passeio de trem é famoso aqui em Curitiba e tem muitas histórias!
... A guia do vagão explicava sobre a ferrovia, feita de 1880 a 1885, dos túneis, dos trabalhadores mortos ao longo da construção. Carlos ao fotografar os colegas, notou que rapazes estranhos e com roupas antigas entraram no trem. Vindos de onde? Junto com o guia Renato, que também percebera, se aproximou dos homens e tirou duas fotos. O trem entrou e saiu do túnel e para a surpresa dos dois, os viajantes não estavam mais no vagão.  
No hotel Carlos descarregou as fotos e os homens não apareceram em nenhuma delas. Atônito contou aos amigos. “O guia Renato e eu, quando chegamos perto dos homens ...”
— Guia Renato? Só tinha uma guia em nosso vagão, a Kátia, quem é esse outro? Os amigos olharam para Carlos sem nada entender. Ele já não andava bem nos últimos dias.
Ele correu para as fotos e também o guia não aparecera em nenhuma. Com o pensamento latente em provar que dizia a verdade, Carlos foi à estação.
— Sim, pela descrição é o guia Renato. Nossa, ele já faleceu há cinco anos. Estar no trem com as pessoas era a vida dele. Como não pôde mais retornar, ele ficou desgostoso e ...
Carlos não escutou mais nada. À noite foi encontrado pelos amigos,
totalmente perdido.
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Festa de Halloween

         Bárbara era uma garota muito estranha e vivia exclusa de todos. Os amigos da escola a convidaram para a festa de Halloween. Por insistência, Bárbara aceitou o convite.
         Porém, os colegas, na verdade, queriam pregar uma peça a ela, esse era o intuito. — Ela terá uma festa inesquecível! – Disse uma das garotas, já se preparando para o “batismo” de Bárbara.
Na grande noite, o pessoal da classe estava a espera de Bárbara no salão de festas.
Nisso a garota surge radiante em um vestido longo negro, os cabelos ao ombro, mascarada e com um saquinho escrito “feitiços”. Era uma fantasia esplendida! É claro que ninguém a reconheceu, mas a presença sedutora mexeu com a cabeça dos rapazes e ela desfilou chamando a atenção de todos.
...
Na manhã seguinte, o jarro de ponche estava vazio e ao chão, garrafas de bebidas quebradas, o salão destruído; parecia que havia passado por um tornado ou coisa parecida. Um a um os corpos foram levados. Os estudantes estavam irreconhecíveis, como se algo tivesse sugado toda a energia da turma de jovens, algo inexplicável!

Bárbara mudou-se para outro lugar e continuava timidamente solitária. Ela aguardava com ansiedade a próxima festa de Halloween. 
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A Festa


— Hoje a noite promete! — disse Roberto para seu amigo Carlos. — Nossa não pensei que essa festa fosse ser assim tão badalada e com tanta gente bonita.
— Nem eu. — disse Carlos. — Você notou como tem muito mais garotas do que rapazes?
— Sim. — disse Roberto, com os olhos brilhantes de tanta emoção. — Vamos nos deliciar com tantos pescoços macios e suculentos!
— Epa, já é quase meia-noite! Meu copo está vazio, vamos para o salão — Exclama Carlos, todo animado e no ritmo da dança. 
— Ei, espera aí! — Chama atenção Roberto, apontando. — Está vendo aquela garota parada lá embaixo encostada no poste? É aquela mesma, com uma boca carnuda e vestido negro. Ela está mirando para cá, acho que conseguiu me ver! A festa pode esperar. Voarei até ela e planarei em seu pescoço, pois não posso perdê-la! — acrescentou Roberto, com os olhos já avermelhados.
— Vou entrar e beber mais vinho e começar atacar a mulherada... — finalizou o amigo Carlos, dando de ombros para a moça no ponto de ônibus, pois no salão havia muito mais mulher para beijar.

... No dia seguinte, estampada na capa de todos os jornais aparece um jovem morto, de uns 19 anos, todo ensanguentado e com vestes de vampiro.
O rapaz se atirou do 17º andar pensando que poderia voar!
Ele foi mais uma vítima de bebidas e drogas em uma festa de calouros na Avenida Paulista.
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Terror no museu

Os visitantes já haviam deixado o museu e os funcionários se preparavam para fechá-lo. As luzes se apagam. O ladrão sai do banheiro e caminha para a sala de segurança para alterar o controle das câmeras e desligar alarmes. Era um bandido profissional.
Rapidamente percorre o local e pega quadros e peças de arte. Vai para uma das salas onde continha objetos mais raros.
Lá estava ela a sua espera. Era maravilhosa!
A porta da sala, toda enfeitada, já era de enfeitiçar e ao abri-la, o ladrão parou boquiaberto com a riqueza e beleza do local. Um lugar inimaginável!
Ao entrar, o bandido se depara com um colar de diamantes.
Ao pegá-lo, nota que as luzes começam a piscar sem parar. De repente, se aproxima devagar uma bela dama com um vestido longo, cabelos cacheados à cintura, usando chapéu e com o mesmo colar no pescoço. Nisso, um homem também da época entra na cena agarra a mulher e começa enforcá-la para roubar a joia.
Assim como na cena, o ladrão sente-se sufocado. Já quase sem ar e tossindo, cambaleando ele joga o colar ao chão.
A cena desaparece como por encanto, mas o ladrão não desiste.
Continua andando pela sala e avista um baú.
O bandido chega perto e o fica admirando, com receio; porém, não resiste e com mãos trêmulas, abre a tampa. Seus olhos misturaram-se com o brilho das moedas de ouro que estavam lá dentro.
Ao arrastá-lo do lugar, sente as mãos queimarem. O ladrão se afasta do baú com as mãos doendo.
Mais uma vez as luzes da sala começam a piscar.
Desta vez, aparece um centurião com uma espada.
O ladrão sai correndo derrubando tudo o que está a sua frente e quando está quase na porta da sala, o centurião o puxa pelos ombros.
O ladrão cai no chão e o centurião se aproxima dele e numa tremenda rapidez, corta-lhe as mãos com a espada e desaparece.
Ensanguentado e gritando, o ladrão se arrasta tentando escapar.
...
No dia seguinte os funcionários encontram os objetos jogados por toda a parte.
Vasculham o museu.
Pelos corredores, um rastro de sangue. Perto da porta de saída, um corpo mutilado.  
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Na caverna de Santana

Paulo e Roberto conduziram o grupo até o alojamento e retornaram para a Trilha do Betari; de volta à caverna de Santana e ansiosos para ultrapassar os 800 metros permitidos.
— Ei Paulo, já estamos aqui há mais de 60 minutos, minha lanterna está começando a falhar e ... De repente o breu tomou conta. Na pressa, esqueceram as pilhas reservas. Sem saber o que fazer, os rapazes começaram a retornar pelo caminho, tatiando na imensa escuridão. Com muitas galerias e labirintos e repleta de estalactites e estalagmites, até com iluminação é difícil percorrer. Um estrondo e um grito... Roberto havia caído e teve fratura exposta em uma das pernas.
— Paulo, o que vamos fazer agora cara? Eu não me lembrei de avisar o grupo.
— Eu também não. É melhor você permanecer aqui e eu vou tentar sair e trazer ajuda...
Depois de três dias policiais e moradores conseguiram achar os rapazes. Um deles estava morto próximo da saída, havia batido a cabeça e com a perda de sangue, morrera em baixo de uma estalactite. O outro, mais longe, falecera do mesmo jeito.
— Não consigo entender, dois guias experientes. Por que tanta irresponsabilidade?
— É seu guarda, falou o morador rural, chegou a hora deles e quando Deus chama, não tem explicação!
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No leito de morte

A família reunida no quarto do hospital aguarda, com lágrimas nos olhos, a despedida da matriarca, a última herdeira de uma riqueza cobiçada.
No leito de morte a avó chama todos para suas últimas palavras.
— Sei que todos vocês vieram se despedir de mim, — dizia a senhora, apontando e falando o que deixara para cada um.
Os familiares não disfarçavam o semblante de indignação com os bens deixados pela matriarca, mobílias e carros antigos.
— Como religiosa que sou, — falava a velhinha sobre sua fortuna, — deixo todos os meus bens ao ex-padre Roberto, que hoje é meu marido e que nos últimos dez anos me foi muito amável atendendo todos os meus pedidos... — finaliza a avó, segurando a mão do ex-pároco, um quarentão alto, moreno, porte atlético e de um sorriso cativante. 

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O Gato


            Estava no segundo ano da graduação de História quando ganhei um lindo gato preto de aniversário. O gato era enorme e tinha olhos cor de mel, impressionantes.
            O gato, por sua vez, não me largava o tempo inteiro, era de irritar.  
            Estava numa noite fria de inverno quando eu comecei a pesquisar sobre Bastet, a deusa gata da mitologia egípcia. A história me encantou e não notei quando o gato estranhamente ficou me encarando e seus olhos, agora imensos e profundos, me hipnotizaram. Fui me largando na cadeira, meu corpo ficando pesado e minha mente divagando...

            Não notei quando a bela mulher negra entrou e me levou para a cama. Ela era maravilhosa e eu me senti em outro lugar, não era o meu quarto e nem minha casa, era um palácio com muitos tapetes e cortinas brancas e estatuetas ornavam o ambiente.
            Acordei com o sol batendo em meu rosto. Estava exausto e com a energia sugada.
            — Você está horrível, o que aconteceu? — disse minha namorada segurando duas garrafas de vinho deixadas no criado-mudo e apontando para os lençóis rasgados.
            Tentei falar-lhe, mas seria em vão. Olhei para o cesto em um canto do quarto e lá estava ele, mas que na verdade era ela, a minha misteriosa gata preta, que ocultava um segredo que só eu poderia compartilhar.  

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O amigo


No verão de 1990, eu resolvi como colunista sobre assuntos extraordinários de uma revista, desvendar o caso do “homem pequeno” da ilha de Sumatra, Indonésia. Convenci o editor e fui com um antropólogo, partimos em um mês. 
Foram dias de tentativas, entrevistas das mais bizarras e pesquisas sobre a criatura. Depois de 25 dias, estávamos desistindo, mas tentei pela última vez. Fui sozinho com um guia para o sudoeste da ilha. 
Andávamos por uma trilha no meio da mata. De repente, avistei pegadas estranhas de pés muito largos. Estava próximo, pensei. De repente, o tempo mudou e raios ecoaram pela floresta. O guia se pôs a correr e eu atrás. Escorreguei e rolei para longe da trilha. Todo machucado, desmaiei.
Acordei em uma caverna. Deitado, sentia que alguém cuidava de meus ferimentos. Na penumbra, vi que o ser tinha uma cabeleira espessa e cerrada até o meio das costas num corpo todo peludo. O forte cheiro me fez desmaiar novamente.  Acordei, desta vez, em um hospital.
Ninguém acreditou em minha história, que não foi publicada, mas ainda carrego em meu peito um colar feito de ervas, deixado por um amigo... 
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Luzes Brilhantes

Anna retornava da escola num fim de tarde nublado naquele começo de inverno de 1982. Ela entrou pelo corredor da vila particular onde morava, no Jardim da Saúde, em São Paulo e viu que estava sozinha no lugar. Anna caminhava devagar quando viu algo estranho no céu. 
A luz alternava do branco para o amarelo claro. A luz era brilhante e imóvel, como um círculo reluzente. O que chamou mais a atenção da moça foi o fato da luz se esconder nas nuvens ao passar um avião; e quando a aeronave se afastava, lá estava ela brilhando no mesmo lugar. 
A jovem ficou ali imóvel observando até a luz desaparecer.
O fato seguiu-se por alguns dias.
Numa certa noite, a jovem retornava do colégio quando viu o círculo luminoso reinar no céu. Seus olhos ficaram hipnoticamente fixos naquele brilho, que começou a mover-se e a ficar maior. Estava se aproximando, vindo devagar, e ficando mais reluzente. Anna, trêmula, permanecia imóvel com seus olhos arregalados. A luz desceu mais e mais em sua direção, até ela ser totalmente absorvida... A estudante nada contou a ninguém.
Agora quando a luz desponta no céu, Anna sente-se fazer parte dela.
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O banquete


A parada da diligência na praça principal da vila despertou interesse pelos moradores do lugar, que acompanharam silenciosamente o desembarque de William. De porte atlético e bem vestido, o misterioso homem foi o assunto daquele pacato domingo, pois há anos ninguém visitava a cidade. William se hospedou numa pensão.   
Ao caminhar pela vila, sentia-se observado por todos. Era uma gente esquisita, vestida de negro e com olhares famintos. Seguiam-no a todo instante.
Depois de dias fizera amizade com os moradores, que pareciam ser outras pessoas. As noites na taverna tornaram-se mais agradáveis. Numa daquelas noitadas, fora convidado para um banquete.  
Chegando a casa a porta já estava aberta e aguardavam por ele. William foi muito bem recepcionado. Depois de tomar tanto vinho, anunciaram que o jantar estava servido.
As luzes se apagaram.
Na escuridão, William ouviu falas e sussurros...
Os participantes da festa queriam William.
Voaram sobre ele rasgando suas roupas.
Gritos, vidros e sangue por todo o lado noite afora...
...
Ao amanhecer, o silêncio tomou conta da vila.
Na estrada, uma carruagem se aproximava.
Na praça, um homem aguardava.
Antes de entrar na carruagem, William olhou para o céu e despediu-se da lua que partia...
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Trem fantasma

Sempre tivera medo de cemitério, filmes de terror e tudo do gênero. Era o garoto medroso da rua. Para acabar com o pavor ele apostou que andaria no trem fantasma. 
Rogério enfim encarou o brinquedo. Com o coração na mão tomou coragem e partiu para o carrinho. Os amigos de longe acenaram para ele. Ao passar pela cortina que se abriu ao som da música tenebrosa, Rogério sentiu um frio na espinha. O carrinho prosseguia e no escuro, as criaturas apareciam diante de seus olhos. A garganta secara. A cada curva um monstro diferente vinha em sua direção para agarrá-lo. Suava frio. Lentamente começou a subir e o primeiro andar reservava as piores surpresas. De repente, o carrinho parou. Gelado e com o suor escorrendo escutou passos em sua direção. O carrinho não se movia. Saltou e correu pela escuridão. Os passos estavam mais próximos. Algo segurou sua camisa.
Minutos depois os amigos aguardavam ansiosos do lado de fora após terem arranjado toda aquela encenação dentro do trem fantasma, mas Rogério não saiu.
Interditaram o brinquedo e começaram a vasculhar.
Em cima da tumba da múmia encontraram Rogério. Seus olhos estavam arregalados e a cabeça ensanguentada.
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Caixinha de música


Na festa de regresso de seu tio, um rico empresário paulistano, que estivera seis meses na Europa, Marcella ganhara de presente uma linda caixinha de música da Inglaterra, toda enfeitada com fios de ouro.
Ao som da caixinha a bailarina se destacava dançando graciosamente hipnotizando os olhos de Marcella e sugando a sua energia.
Agora ela mesma tocava sozinha e a bailarina criara vida própria e seus passos eram feitos fora da caixa.
Marcella cada vez mais fraca não tinha como evitar tudo aquilo principalmente a força maligna da bailarina. Certa noite a moça escutou a música e sentiu a dançarina sobre ela dominando o seu ser e entrando em seu corpo.
— Estou presa, não consigo me mexer. Pensou Marcella ao acordar depois do terrível acontecido com a bailarina na noite anterior e aos poucos, foi percebendo que se tornara ela, a sua forma e estava dentro da caixinha.
...
— Não! O grito de Marcella ecoou somente em sua mente, pois ninguém poderia ouvi-la. Se debatendo, Marcella acordou. Suada notou que fora um pesadelo.
Desceu rapidamente as escadas de sua casa com a caixinha de música e jogou no lixo o lindo presente do tio, ainda aterrorizada pelo que aconteceu.
Respirou aliviada, pois o caminhão do lixo estava para passar e assim a caixinha iria embora para sempre.
...
Tentava descansar quando acordou com um barulho vindo da rua. Olhou pela janela e viu uma menininha rasgando o saco de lixo.
Nas mãos da pobre criança, viu reluzente a caixinha de música...   
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Noite de lua cheia

Acordou com o sol batendo em seu rosto. A janela estava aberta e a cortina também. Viu que suas roupas estavam rasgadas, sujas e jogadas por todo o quarto, assim como objetos espalhados pelo chão. “Aquele pesadelo outra vez!”, sussurrou.
As dores de cabeça recomeçaram e com elas, lembranças... Era uma moça loura correndo pelo matagal. Ela gritava, mas ninguém conseguia ouvi-la! Atrás dela um bicho enorme rosnando e babando. Correndo desesperada e olhando para trás, a moça tropeça e cai. A criatura, em cima do corpo franzino da jovem, com um golpe certeiro de suas garras, abre o peito dela ao meio. O enorme focinho vai chegando bem perto do pescoço da moça ensanguentada, abre-se e...
Um tiro certeiro, bem no meio do peito do monstro que cai para trás. Cambaleando e longe da vítima ele tenta rastejar. O caçador se aproxima e dá outro tiro. O bicho cessa e...
Game Over!
— Maravilhoso meu rapaz! Que imaginação, é um jogo excelente! Foi você mesmo quem escreveu a história e bolou toda a animação? Já está contratado, o emprego é seu...
Francis sai do prédio fascinado. Conseguira uma vaga na Capcom. Inacreditável!  
Percebe os raios de sol partindo. Olha para o céu e vê ao longe a lua. 
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Dança


Sentia-se nas nuvens! Aos poucos foi recordando da noite maravilhosa. Lembrava-se que conhecera aquele “deus grego” no meio do salão. Dentre alguns copos de bebida, de repente ele estava ao seu lado na pista de dança.   Alto, moreno, musculoso e dono de um sorriso de dar inveja a qualquer mortal, o belo misterioso apertou-lhe o corpo junto ao seu e os dois dançaram a noite inteira. Ele era rápido e voraz nos beijos e na dança. Movia-se sensualmente junto dela. Mordia-lhe o pescoço e as mãos ágeis percorriam todo o seu corpo.
Estava completamente entregue ao estranho e sentia-se atraída por ele. Aquele magnetismo, o modo como ele a olhava. Nunca havia sido seduzida por ninguém. Ele tinha algo de misterioso que a fascinara e ao mesmo tempo, a deixara louca...

... Tosse e falta de ar. A garganta estava seca. Foi abrindo os olhos e apalpando...
Socorro! Isso aqui não é uma cama. 
Arranhava, chutava, forçava com os pés. Tossia. Seu coração agora batia devagar e perdera as forças. Os pensamentos divagavam-se em lamentos. Nãotinha mais o que fazer. Ninguém sabia que ela estava ali, se debatera em vão! Nunca conseguiria sair daquele caixão.

... Na semana seguinte, no mesmo salão, uma garota sozinha se vê abraçada por um belo rapaz na pista de dança...  
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A viagem de Virgínia



Depois de dirigir por horas, o carro de Virgínia simplesmente parou. Com o celular sem sinal, naquela estrada escura, ela não tinha a quem recorrer. Após seis horas sem passar ninguém, o frio e o medo começaram a tomar conta de Virgínia. Era quase meia-noite e a lua estava cheia. De longe ela avistou faróis se aproximando e iluminando o caminho. Dois homens grandes chegaram e rebocaram o carro dela até um posto mais próximo.  
A tranqüilidade durou pouco. Logo Virgínia observou olhares estranhos e risos sinistros. As conversas ela não mais as escutava. Trovões ecoaram pela estrada, que parecia sem fim. Virgínia começou a ter calafrios e o pavor a dominou. Não conseguia mais distinguir os rapazes, que a ela, não pareciam mais humanos. Desesperada, ela saltou do carro quando chegaram ao posto e atravessou a via correndo tentando escapar das criaturas. Um clarão surgiu em sua direção e com o impacto, ela não viu mais nada...
- Pois foi isso que aconteceu seu guarda, explicava um dos rapazes. Começou a chover e a moça saltou do automóvel assustada e correu por entre os arbustos. Nós gritamos e tentamos alcançá-la, mas não deu tempo, pois um raio a acertou em cheio. Coitada, ainda não entendemos o que a fez agir assim...
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Estranha Paixão


Todas as noites a jovem sonhava com o rapaz desconhecido.
Ele apareceu nas comemorações de São Pedro. Belo e alto, ele trajava uma roupa social branca e um chapéu da mesma cor. Muito falante e cordial, logo se aproximou dela, que cedeu aos seus encantos.
Era o príncipe que entrou somente uma vez nos sonhos da jovem tornando-a radiante, momentos inexplicáveis em seus 17 anos. Mariana desde aquela noite não conseguia mais esquecê-lo. Quem seria ele? Para ela não importava saber, nem mesmo o seu nome ela conseguiu ouvir, apenas queria sentir a presença dele em seus braços e a pureza de seu amor.
Nos estudos, começou relaxar até que abandonou a escola. Que fantasia seria aquela? A filha estaria louca?
A loucura cessou depois de nove meses, quando nasceu o menino Pedro. Pouco se soube sobre o paradeiro do pai da criança.
Dizem os vizinhos que foi o Boto...
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 Flashes da morte



Corro aqui e ali e o mesmo homem todo dia por ruas escuras e mal cheirosas do Centro da Cidade.
Ruas e avenidas quartos e motéis homens e mulheres vibrações negativas revoltas morte e cadáver.
Eu me deparo com ele em uma rua sem saída com grandes latões de lixo e o silêncio absoluto. O homem bem vestido e com um chapéu negro se aproxima de mim e pára na direção da rua, fechando minha saída. Não tenho para onde fugir. Ele calmamente se aproxima. Agora posso ver seu rosto; um sorriso sarcástico toma conta de todo aquele ser, que parece maior agora. Os passos lentos ecoam e as batidas de meu coração aumentam a cada passada. Ele parou. Lentamente tirou uma faca de dentro do terno. O brilho da lâmina ilumina todo o beco. Ele vem se aproximando de mim... não tenho como escapar...
-Enfermeira chefe, emergência no quarto 514.
-Sua filha fica agitada assim nesse horário todas as noites. Parece pesadelo, mas ainda não temos um diagnóstico concreto, senhora Klaus. Não sabemos se ela acordará desse coma.
Na noite seguinte, o monitor cardíaco apita novamente.
São 23 horas e 24 minutos...
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Do outro lado


Caminho tranquilamente por ruas desertas. O silêncio e a escuridão refletem um mundo a ser desvendado. Penso em minha solidão!
Que frescor tem as madrugadas de outono.
Epa... Quanta gente correndo em minha direção.  Surgiram do nada! São muitos e feios. Rostos sisudos, sujos, tenebrosos! Estão me apontando!
Corro pelas ruas, olho para trás, mas eles continuam a me seguir e a gritar! Corto caminho... Parece que os despistei.
 Avisto o prédio onde moro. Subo os três andares correndo e com o coração a milhão; não paro de tremer e de imaginar aqueles seres horrendos.
Do corredor escuto o despertador me chamando. Isso me deixa aliviada e as batidas fortes em meu peito vão voltando ao normal.     
Entro em casa e caminho até meu quarto. Ao me aproximar do relógio vejo alguém deitada em minha cama... O coração se acelera novamente. Dou a volta e me deparo com meu rosto pálido e triste. O corpo, sem vida. Ao lado dele, um frasco vazio de remédios para dormir. 
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Alucinações


Quando deu por si, estava sozinha em casa. O marido havia saído e como ela cochilava, ele não a acordou. Tentou não entrar em pânico. Ligou a televisão para se distrair. Rodou quase todos os canais e nada a satisfazia. Com o coração disparado, ela andava de um lado para outro, entrava e saia dos cômodos, mas a sensação de que alguém a observava foi tomando conta de seus pensamentos, de suas ideias, que já não distinguiam mais nada. De repente, a casa ficou sem luz. Passos ecoavam do andar de cima.
Cambaleando e se arrastando ela caminhou até a cozinha para pegar uma lanterna. As mãos tremiam demais e o equipamento caiu ao chão, quebrando-se. Nisso, um vulto enorme passa pela copa. A mulher se escondeu atrás da geladeira. Gélida e sem voz ela sentiu a presença da enorme figura parada na entrada da cozinha e um som estridente tomou conta do lugar. A pobre esposa num impulso saiu correndo pela porta da cozinha. Tropeçou nos degraus, caiu e bateu com a cabeça.
Após o enterro, Renato foi para a casa de um tio. Mesmo sendo esquizofrênica, Mariana fora sua eterna paixão. Consolado por ser uma doença sem cura, ele tentava se restabelecer.
... Depois de uns dias o marido retorna a casa. Encontra objetos quebrados por todo o quarto. Os batentes da copa e da cozinha arranhados... 
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  Abismo


Lugar escuro e sombrio seres horríveis! Monstros sem cabeças seres rastejantes e grandes, sangue e perversidade. Correm atrás de pessoas apavoradas de medo no meio da lama da sujeira e da brutalidade.
Uma moça que pula de um abismo faz aquilo todos os dias. Seu rosto pálido e sem vida olha para o vazio da imensidão e ela se atira. O corpo cai rapidamente o grito ecoa, todos param, e em minutos o mundo infernal recomeça. Aqui, não há esperança para ninguém!
Almas vagando torturadas por seus pecados e corpos amontoados como lixo!
Lembro-me de como vim para cá. Desgostosa com a vida, tomei um frasco de remédio para dormir. Acordei neste lugar! Não sei quanto tempo permanecerei, mas tenho certeza que será por um longo período.
Chegou a hora. Os vermes já estão à espera da horrenda cena. Sedentos por ver a pobre pecadora, que a cada dia, reafirma sua eterna estadia.
Aguardam com água na boca. Tudo cessou. Ela vem caminhando devagar. Lágrimas escorrem por seu rosto. Ela passa por entre as criaturas e continua andando. A mulher chega à beira do abismo...
Pára e sorri. Um sorriso iluminado.
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O beco


Correndo por becos escuros e com as mãos ensanguentadas. Olha ao redor e só vê lixo, ratos e sujeira. Um lugar perfeito para esconder-se. Atrás de latões ele aguarda por mais uma vítima. Um vulto se aproxima, é uma prostituta que entra no beco para cortar caminho até a outra rua. Ela caminha devagar e se distrai contando dinheiro.
Os olhos dele seguem a figura da mulher. Ela não percebe. Com água na boca ele sente o frescor do pescoço dela. O perfume barato da mulher aguça o olfato dele. Os olhos avermelham-se e a sede fica incontrolável.
De repente ela escuta algo estranho e aperta o passo. Ele também. A moça agora com a respiração ofegante corre em direção ao final da rua. Ele consegue alcançá-la, empurra-a contra a parede, tampa sua boca e a aperta em seus braços. Sob a capa negra, os dentes pontiagudos perfuram o pescoço da pobre prostituta...
Acorda em sua cama. Depois de alguns minutos se dá conta que está numa camisa de forças. Senta na cama e observa os médicos pelo vidro.
Sua boca tem gosto de sangue...  

2 comentários:

Unknown disse...

Bom
Me mandem alguns: edubruuzumaki@gmail.com

Érica Vasconcellos disse...

Irei realizar um projeto com minicontos com o 7º ano e o blog me ajudou muito! Obrigada!!